Texto extraido do e-mail enviado para o Patchepinte em fevereiro de 2005, no dia seguinte ao "nascimento" da primeira Annie que eu mesma desenhei.
Bom dia meninas... Uaaaaaaahhhh!!! Então dormiram bem? Eu também, apesar de não ter tido coragem de dormir abraçada com quem eu queria (fiquei com medo de rirem de mim)... Explico. É que estou apaixonada pela minha mais nova filhotinha, uma Raggedy Anne tão lindinha que dá vontade de voltar a ser criança e dormir abraçada a ela.
Conhecem a história dessa famosa bonequinha de pano? Bem...
Nos idos de 1914, uma menina de oito anos de idade chamada Marcela (vejam só...), estava brincando no sótão da casa de sua avó, quando achou uma boneca toda esfarrapada e já quase sem feições em um velho baú. Sua avó então lhe contou que essa tinha sido o brinquedo favorito de sua mãe e que a boneca havia ficado assim tão gasta, por ter sido tantas vezes abraçada por ela.
A menina amou a boneca assim que a viu e então se apressou a leva-la ao escritório do pai, um desenhista cheio de trabalho, mas que não querendo desapontar a filha, pegou sua caneta e lhe deu feições muito alegres. A mãe de Marcela então, trabalhou nos cabelos vermelhos e lhe colocou um vestido e um avental branco. A boneca também ganhou olhos de botões e um coração vermelho no peito, como para dizer "eu a amo".
O nome Raggedy (ragged = roto, rasgado), vem de um poema entitulado "The Raggedy Man" , de autoria de um amigo da familia chamado James Whitcomb Riley e Anne, foi inspirado em outro poema do mesmo autor ( Little Orphan Annie) que falava sobre uma pequena órfã. O Sr. Twee Deedle, pai de Marcela, criou e publicou várias histórias em quadrinho sobre a boneca e suas aventuras e a menina se apegou tanto á sua Raggedy Anne, que dormia com ela e a levava pra todo lugar.
Mas a pequena Marcela foi acometida de uma grave enfermidade e passou muito tempo na sua cama, até que em 1916, aos 10 anos de idade, morreu abraçada á sua tão querida boneca e amiga.
Os pais de Marcela então fizeram muitas Raggedy Annie, essa boneca que saiu de um baú de madeira de um sótão para encantar meninas do mundo todo. E receberam muitas também, de pessoas que as faziam de vários tamanhos e diferentes interpretações, mas sempre com as características peculiares que a diferenciam das demais e enviavam para eles, como para tentar diminuir-lhes a dor.
Nós, que amamos "brincar de bonecas", também sentimos esse fascínio por essa carinha meiga e alegre, por esses cabelinhos vermelhos feitos de trapo e por esse coração que nos encanta, mesmo antes de conhecer-lhe o nome ou a história.
Tenham um bom dia, apaixonadas como eu, por uma boneca de trapos
Beijos
Eliana
Eliana Zerbinatti - Artista Plástica e Designer - 55 11 6232-8688
Para ler a poesia:
Escrito por Eliana Zerbinatti às 22h24
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