Crazy Quilt
Eu amo muito tudo isso... Amo não só fazer patch no estilo "Crazy", como amo a sua aparencia nobre, seus bordados, etc... Estão estranhando quando digo "estilo" e não "técnica"? Bem... isso é que é a história.
Alguns pesquisadores sobre a história ou memória do quilt/patchwork, inicialmente pensaram que este tipo de trabalho havia começado a ser feito já na época da colonização americana, por causa da escassez de tecidos e que essa seria uma forma de aproveitar todos as sucatas de tecidos e pedaços não puidos de roupas velhas. Mas depois, concluiram que isso não seria possível, já que os tecidos usados eram geralmente tecidos nobres, como sedas e brocados que não eram viáveis para os quilters daquela época.
O ponto alto do "Estilo Crazy" foi nos anos 1880. Era considerado sinal de status ter um trabalho feito em "crazy", por causa do rico material de que é feito e também por causa do tempo gasto em sua confecção (se uma casa possuisse esse tipo de adornos, era sinal de que o homem era rico o bastante para contratar mão de obra para auxiliar nos trabalhos domésticos, e assim proporcionar à sua esposa, tempo livre para se dedicar aos trabalhos manuais, além de materia prima cara e luxuosa).
As mulheres da época foram influenciadas pelos trabalhos japoneses, assimétricos e com muita seda, expostos em 1876, numa exibição ma Filadélfia.
Refletindo sobre isso tudo, chego a conclusão que estamos (nós mesmas), fazendo história. No futuro, alguém vai pesquisar sobre a história do patchwork aqui no Brasil, e vai contar que fomos influenciadas pela arte americana, até chegar a um estilo nosso mesmo. Isso me lembra a necessidade de assinarmos nossos trabalhos, indicando se são cópias ou inspirados em algum trabalho e colocarmos a data em que foram feitos, por mais simples que sejam. A assinatura vai em uma etiqueta colocada atrás do trabalho, de preferência antes de quilta-lo, para que fique a prova de "falsificação".
Outra coisa que sempre digo às minhas alunas, é que tenham um caderno com o registro de todos os trabalhos que forem fazendo, ou de combinações de tecidos de que gostaram, mencionando onde o viram e de quem era, para facilitar a memória criativa. Colem retalhinhos de tecidos, registrem "aquele" projeto dos sonhos e tudo que quiserem preservar.
Não se esqueçam de contar as emoções e pensamentos que vão tendo enquanto trabalham, pois isso será de grande apreço para as futuras gerações. Todo "quilt" tem uma história, que são os motivos pelos quais são feitos e vale a pena registrar tudo.
Eu já estou no meu segundo caderno...
Pra quem não conhece o "Estilo" (de vida) Crazy, que não é nada louco, mas é sim, bem cioso de sua opulencia, aí vão uns exemplos e uns sites interessantes.
Em tempo: os trabalhos em crazy geralmente são peças pequenas e não colchas, e não são quiltados ou "recheados" com manta, mas são bordados á mão, com pontos dos mais diversos, adornados com aplicações de rendas e botões (tesouros guardados ou garimpados por quem o confecciona) e forrados.
Beijocas louquinhas
Eliana
Eliana Zerbinatti Artista Plástica e Quilter - 55 11 6232-8688
Escrito por Eliana Zerbinatti às 16h42
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